Lançamentos trazem inovações como bicicletas compartilhadas e recarga para modelos elétricos

Não é apenas nas ruas que as bicicletas estão ganhando mais espaço. A cultura das magrelas extrapolou as questões relacionadas à mobilidade e infraestrutura urbana e chegou ao mercado imobiliário. Cada vez mais, as construtoras investem na oferta de bicicletários para proporcionar comodidade e segurança para quem utiliza a bike no dia a dia, seja como meio de transporte ou item de lazer.

A necessidade de espaço para acomodar as magrelas é maior nos empreendimentos com unidades menores, mas algumas construtoras estão indo além. “Procuramos incluir o bicicletário em todos os empreendimentos, independentemente do tamanho privativo das unidades. A bicicleta é um item difícil de guardar no apartamento, então o espaço na área comum traz conforto para o morador”, diz Mayra Doria Mattana, diretora da Construtora Doria.

Mas não é apenas nos condomínios residenciais que os bicicletários estão ganhando terreno. Lançamentos comerciais de alto padrão – como o Inspira Business –também estão antenados às novas tendências de mobilidade. “O uso da bicicleta como meio de transporte é irreversível. Em São Paulo, temos diretores que vão ao escritório de bicicleta. Quando notamos isso pensamos em incorporar aos comerciais”, conta João Auada Júnior, diretor de negócios da Tecnisa.

Mais do que um atrativo aos clientes, a presença dos locais apropriados para abrigar as “magrelas” tornou-se uma exigência para os novos empreendimentos com a publicação de um decreto municipal neste ano, como lembra a arquiteta e gerente de projetos da Invespark Empreendimentos Imobiliários, Michelle Beber. “A prefeitura vem incentivando o uso da bicicleta e a cultura das pessoas está mudando. Como incorporadora, temos de estimular e inserir nos projetos esse conceito que estimula a qualidade de vida”, acrescenta.

A crescente presença dos bicicletários entre as áreas comuns fez com que algumas empresas buscassem alternativas para diferenciar seus empreendimentos no mercado. Um exemplo é o HUB, da Tecnisa, que contará com o bike share, um bicicletário que será entregue com 40 bicicletas para uso compartilhado pelos moradores. “O pré-lançamento Araucárias terá bicicletários com pontos de tomadas alimentados por energia solar para a recarga de bicicletas elétricas. À medida que a tecnologia evolui, vamos pensando em novidades”, conta Auada.

A presença dos bicicletários nos empreendimentos ainda não é um fator determinante na decisão de compra de um apartamento, mas os especialistas afirmam que a possibilidade de contar com o espaço “extra” é recebida de forma positiva pelos futuros moradores.

“Tudo o que agrega em termos de qualidade de vida e conforto para o usuário valoriza o empreendimento, pois se torna um facilitador para o dia a dia do usuário. Por enquanto, o bicicletário é visto como um diferencial, mas existe a tendência de que se torne uma exigência pela mudança do estilo de vida das pessoas”, prevê Mayra.

Legislação

Em vigor desde fevereiro deste ano, o decreto municipal nº 92/2014 regulamenta a obrigatoriedade da implantação de área de estacionamento para motocicletas e bicicletas nos imóveis construídos em Curitiba a partir desta data. A exigência vale tanto para imóveis residenciais quanto para empreendimentos de uso comercial ou outros fins. De acordo com o decreto, o número de vagas exclusivas para bikes e motos nesses empreendimentos deve obedecer à proporção de 5% da área mínima exigida para o estacionamento de automóveis.

Bicicletários eliminam problemas com bikes

Quando receberam as chaves, no final de 2009, os condôminos do Residencial Moradas do Campo não contavam com bicicletário entre os espaços comuns do empreendimento. Como alguns moradores tinham bicicletas, a solução foi guardar as “magrelas” dentro do apartamento, o que gerou alguns transtornos, lembra a síndica Vanusa Vieira. “Ao subir com as bicicletas para as unidades, os pneus acabavam sujando a escadaria do prédio. Ainda havia moradores que deixavam as bikes embaixo das escadas ou em outras áreas comuns, o que não era permitido”, conta. Tais questões criaram um problema de logística interna que levou o condomínio a buscar uma solução definitiva. A opção foi investir na instalação de um bicicletário. Em 2012, a proposta foi aprovada em assembleia e demorou cerca de três meses para que o espaço, feito sob medida, estivesse pronto para uso. “Procuramos vários orçamentos com empresas especializadas, mas optamos por uma serralheria que o construiu de acordo com nossa necessidade. Escolhemos uma área gramada nos fundos para receber os suportes e a cobertura, assim o bicicletário não afetou a estética do condomínio”, conta Vanusa.

O investimento total para a instalação do espaço foi de R$ 15 mil, rateado entre as 320 unidades que compõem o condomínio. Mesmo os morador es que não tinham bicicletas concordaram com o gasto, que trouxe valorização para o imóvel.

Hoje, cerca de 150 das 200 vagas do bicicletário estão ocupadas. Não há limite de vagas por unidade, como ocorre com a garagem, mas Vanusa lembra que o morador tem de fazer a sua parte para a manutenção do espaço. “A responsabilidade sobre a guarda das bicicletas é dos moradores. Eles devem levá-las até o bicicletário e fechá-las com cadeado próprio para garantir a segurança das bikes, já que o condomínio não se responsabiliza”, explica.

Comodidade

Cantinho para magrelas facilita dia a dia do morador

O bicicletário tornou-se essencial no dia a dia do professor e biólogo Bernardo Deguchi. Ele utiliza a bike cerca de quatro vezes por semana para ir ao trabalho e afirma que teria dificuldade para guardar a “magrela” se não contasse com o espaço. “Minha esposa também tem bicicleta, então não seria viável guardá-las dentro de casa. Pelo regimento do condomínio não podemos deixá-las na sacada, apenas na garagem junto com o carro”, explica.

Deguchi lembra que quando compraram o apartamento, ainda na planta, ele e a esposa não chegaram a procurar especificamente pelo bicicletário. A presença do local adequado para a bike, contudo, foi um atrativo por proporcionar segurança e facilidade, uma vez que ele não precisa subir com a bicicleta para o apartamento todos os dias.

O próximo passo é dotar o bicicletário com suportes específicos para as “magrelas”. O investimento para que as bicicletas possam ser guardadas na vertical – que irá melhorar o uso do espaço– já foi aprovado pelo condomínio e sua execução está prevista para o início do ano.

O professor acredita que a presença do bicicletário pode funcionar como um estímulo para as pessoas que têm vontade de mudar seus hábitos e desejam adquirir uma bicicleta visando a saúde e a consciência ambiental. “Meu principal estímulo para usar a bike é consumir menos, já que ela é um meio de transporte mais limpo. Também é uma forma de praticar atividade física e otimizar o meu tempo”, avalia.

Fonte: Gazeta do Povo